Objectos nº3

© Frederico Mira George
Os meus óculos de «ver ao longe»

Comprados na loja Havanesa Eborense, em Évora, 2011. Em relação ao quotidiano não há nada que receie mais do que ficar sem óculos. Os que uso para ler também.  Enquanto puder ter acesso a óculos alguma coisa estarei a fazer.

Toalha de Linho

Foi bordada pela minha trisavó M. J., uso-a para apoiar o braço quando desenho ou escrevo durante muito tempo.

Máquina de escrever «Messa 6000»

Pertencia ao Rádio Clube de Moçambique, Emissora Lourenço Marques. Foi-me oferendada por um paciente, o F. B. Uso-a para escrever coisas longas, curiosamente, tenho-a usado para escrever os meus podcasts. Está sempre ao pé de mim na sala. Quarenta anos depois está «Messa» volta ao serviço da Telefonia. Tenho uma outra máquina de escrever, portátil. Oferenda da minha prima A. Essa uso-a para escrever textos rápidos, para a transportar, poemas…ainda aqui apareçerá. Ainda tenho uma outra, uma Rover, que está em Évora. Nessa escrevi tanto. E a primeira que tive, herança do meu avô, teve tanto uso que literalmente se desfez em peças. Foi no tempo de escrever para os jornais. 

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Objectos #2

© Frederico Mira George, lomografia, sem janela de foco
Mini Transistor ‘Sony’. Minha Telefonia, sempre. Lisboa.

Bule cerâmico, ‘Vista Alegre’, Évora.  Meu precioso chá. Veio de Évora.

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Os meus objectos são o espelho da minha vida

Villa de Collares

3 de Julho de 16 — Domingo
A partir de hoje, e com a regularidade que me for possível, irei partilhar os objectos que espelham a minha existência. Serão revelados sem nenhuma ordem especial, alguns são muito antigos, outros têm semanas. Alguns são herança de antepassados que não conheci, outros oferendas das pessoas que mais amo, outros ainda foram comparados ou achados por mim. Alguns são objectos de real valor de mercado, outros só tem o valor da alma. 

Estes objectos são o que eu sou. Eu não sou um estes objectos. 

Frederico Mira George
Todas as imagens são fotografadas no sistema Lomografico sem janela de foco a preto e branco.

Budha Shakyamuni, Dordogne, 2000

(Os olhos desta estátua do Rei dos Shakyas foram abertos por Kunzang Ama-la que também a consagrou, encheu de materiais preciosos da Terra do Dharma, orações, plantas medicinais e ouro e por fim a consagrou à prática do Ritual de Sahkuamuni de Lama Mipam. Ama-la (Grande mãe) foi uma das mais eminentes Lamas do século XX, médica, foi casada com Sua Santidade Kangyour Rinpoché e mãe de três preciosos mestres budistas da actualidade, entre eles, Tulku Pema Wangyal Rinpoché, meu Lama de Raiz.)


Caixa de Medicamentos em Prata pertencente a uma tia avó.

Conteúdo além comprimidos: uma estrela, uma foice, um martelo em prata. Eram da minha mãe.

Caisse du Plaisir

Levei esta caixa para Paris com material de desenho.

A placa foi mandada gravar em Lisboa como marca do sonho e profunda felicidade desse Agosto, naquela cidade.

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ÚLTIMA VALSA — ENTREVISTA AO PROF. LUÍS FARINHA, DIRECTOR DO MUSEU DO ALJUBE

Ouça aqui o Podcast — Entrevista com o Prof. Luís Farinha, Director do Museu do Aljube, Resistência e Liberdade, por Frederico Mira George.

Todos os podcasts «Última Valsa — Poesia em modo telefonia, programa da autoria e apresentação de Frederico Mira George podem ser ouvidos aqui: «ÚLTIMA VALSA» — Telefonia .

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Última Valsa — Poemas em modo telefonia

Emissor Livre de Telefonia

Última Valsa

Podcast por Frederico Mira George

Os poemas na rádio.

http://ultimavalsatelefonia.tumblr.com

Ler pelos ouvidos!

Podcast #1 Vítor Silva Tavares — já disponível 

 

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ÚLTIMA HORA — Poemas — Terceiro — © Frederico Mira George

Terceiro

{/despede-te dela, da Alexandria que se vai embora./

/aproxima-te da janela,

ouve com emoção, mas não

com as súplicas e queixas dos covardes,/

e despede-te dela, da Alexandria que perdes./

Kavafis (excertos do poema: 

«O Deus Abandona António»}

Em pequeno, ensinaram-me muitas coisas úteis.

Não seria necessário dar exemplos, mas agora que recordo: ensinaram-

-me a lavar a cabeça, a usar o dicionário, a pôr discos nos gira-discos e talvez

a mais útil ensinança, dar laços aos cordões dos sapatos, que 

me ficou para a vida. Ensinaram-me muitas coisas úteis, e é certo 

sou grato por terem tido essa gentileza comigo. Mas hoje,

a pensar no que não sei, no que nem me ensinaram, 

nem aprendi, constatei que não me ensinaram uma única maneira

de sobreviver às despedidas. Talvez eles, os que me ensinavam coisas úteis,

não se tivessem lembrado de como isso me seria útil no futuro, tão útil

como dar laços aos cordões dos sapatos, ou acender uma vela, ou

não soubessem. Ou quiseram esconder. Em última

hipótese, é possível que enquanto me ensinavam as coisas úteis, 

se estivessem também a despedir de mim.

11h16m

Frederico ‘W George

Várzea de Collares

Dia 18 de Abril de 15

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ÚLTIMA HORA — Poemas — ©  Frederico Mira George

Segundo

{Quais des Orfèvres — Rua Áurea — Aller et Retour}

Amanheci em Lisboa no final da segunda metade dos anos oitenta,

Viajei para o rever, voltei e tenho estado à espera, acaba de chegar.

Mantém a figura que lhe guardava, o cansaço contrastando 

Com a idade. Vejo-o entrar na ‘Mónaco’: três maços de Provisórios e

Duas caixas de fósforos Quinas (é rigoroso, não usa isqueiros). 

À passagem pelo vendedor de bíblias, encara o apóstolo com desprezo até à

Rua do Ouro. Na ‘Tabacaria do Rocio’: quatro onças 

De Havanezas (é rigoroso, fuma tabaco com latakya num Davidoff de briar 

Martelado).

Fez-se escuro num suspiro, já se não vê rio ao fim da rua.

Trinta e cinco minutos depois das dezassete horas, paciente, aguardo

Que abandone o tabaqueiro para discretamente lhe sublinhar

Os passos até às duas Colunas do Cais de Ourives.

11h30m

15 de Abril de 15

Frederico ‘W George

Villa de Collares, Café Operário ‘Flor da Villa’

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