Objectos #2

© Frederico Mira George, lomografia, sem janela de foco
Mini Transistor ‘Sony’. Minha Telefonia, sempre. Lisboa.

Bule cerâmico, ‘Vista Alegre’, Évora.  Meu precioso chá. Veio de Évora.

Anúncios
Publicado em Os meus objectos | Etiquetas , , , | Publicar um comentário

Os meus objectos são o espelho da minha vida

Villa de Collares

3 de Julho de 16 — Domingo
A partir de hoje, e com a regularidade que me for possível, irei partilhar os objectos que espelham a minha existência. Serão revelados sem nenhuma ordem especial, alguns são muito antigos, outros têm semanas. Alguns são herança de antepassados que não conheci, outros oferendas das pessoas que mais amo, outros ainda foram comparados ou achados por mim. Alguns são objectos de real valor de mercado, outros só tem o valor da alma. 

Estes objectos são o que eu sou. Eu não sou um estes objectos. 

Frederico Mira George
Todas as imagens são fotografadas no sistema Lomografico sem janela de foco a preto e branco.

Budha Shakyamuni, Dordogne, 2000

(Os olhos desta estátua do Rei dos Shakyas foram abertos por Kunzang Ama-la que também a consagrou, encheu de materiais preciosos da Terra do Dharma, orações, plantas medicinais e ouro e por fim a consagrou à prática do Ritual de Sahkuamuni de Lama Mipam. Ama-la (Grande mãe) foi uma das mais eminentes Lamas do século XX, médica, foi casada com Sua Santidade Kangyour Rinpoché e mãe de três preciosos mestres budistas da actualidade, entre eles, Tulku Pema Wangyal Rinpoché, meu Lama de Raiz.)


Caixa de Medicamentos em Prata pertencente a uma tia avó.

Conteúdo além comprimidos: uma estrela, uma foice, um martelo em prata. Eram da minha mãe.

Caisse du Plaisir

Levei esta caixa para Paris com material de desenho.

A placa foi mandada gravar em Lisboa como marca do sonho e profunda felicidade desse Agosto, naquela cidade.

Publicado em Os meus objectos | Etiquetas , | Publicar um comentário

ÚLTIMA VALSA — ENTREVISTA AO PROF. LUÍS FARINHA, DIRECTOR DO MUSEU DO ALJUBE

Ouça aqui o Podcast — Entrevista com o Prof. Luís Farinha, Director do Museu do Aljube, Resistência e Liberdade, por Frederico Mira George.

Todos os podcasts «Última Valsa — Poesia em modo telefonia, programa da autoria e apresentação de Frederico Mira George podem ser ouvidos aqui: «ÚLTIMA VALSA» — Telefonia .

Publicado em ÚLTIMA VALSA — Podcasts audio | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Última Valsa — Poemas em modo telefonia

Emissor Livre de Telefonia

Última Valsa

Podcast por Frederico Mira George

Os poemas na rádio.

http://ultimavalsatelefonia.tumblr.com

Ler pelos ouvidos!

Podcast #1 Vítor Silva Tavares — já disponível 

 

Publicado em ÚLTIMA VALSA — Podcasts audio | Publicar um comentário

ÚLTIMA HORA — Poemas — Terceiro — © Frederico Mira George

Terceiro

{/despede-te dela, da Alexandria que se vai embora./

/aproxima-te da janela,

ouve com emoção, mas não

com as súplicas e queixas dos covardes,/

e despede-te dela, da Alexandria que perdes./

Kavafis (excertos do poema: 

«O Deus Abandona António»}

Em pequeno, ensinaram-me muitas coisas úteis.

Não seria necessário dar exemplos, mas agora que recordo: ensinaram-

-me a lavar a cabeça, a usar o dicionário, a pôr discos nos gira-discos e talvez

a mais útil ensinança, dar laços aos cordões dos sapatos, que 

me ficou para a vida. Ensinaram-me muitas coisas úteis, e é certo 

sou grato por terem tido essa gentileza comigo. Mas hoje,

a pensar no que não sei, no que nem me ensinaram, 

nem aprendi, constatei que não me ensinaram uma única maneira

de sobreviver às despedidas. Talvez eles, os que me ensinavam coisas úteis,

não se tivessem lembrado de como isso me seria útil no futuro, tão útil

como dar laços aos cordões dos sapatos, ou acender uma vela, ou

não soubessem. Ou quiseram esconder. Em última

hipótese, é possível que enquanto me ensinavam as coisas úteis, 

se estivessem também a despedir de mim.

11h16m

Frederico ‘W George

Várzea de Collares

Dia 18 de Abril de 15

Publicado em Diário Literário-Novas entradas | Publicar um comentário

ÚLTIMA HORA — Poemas — ©  Frederico Mira George

Segundo

{Quais des Orfèvres — Rua Áurea — Aller et Retour}

Amanheci em Lisboa no final da segunda metade dos anos oitenta,

Viajei para o rever, voltei e tenho estado à espera, acaba de chegar.

Mantém a figura que lhe guardava, o cansaço contrastando 

Com a idade. Vejo-o entrar na ‘Mónaco’: três maços de Provisórios e

Duas caixas de fósforos Quinas (é rigoroso, não usa isqueiros). 

À passagem pelo vendedor de bíblias, encara o apóstolo com desprezo até à

Rua do Ouro. Na ‘Tabacaria do Rocio’: quatro onças 

De Havanezas (é rigoroso, fuma tabaco com latakya num Davidoff de briar 

Martelado).

Fez-se escuro num suspiro, já se não vê rio ao fim da rua.

Trinta e cinco minutos depois das dezassete horas, paciente, aguardo

Que abandone o tabaqueiro para discretamente lhe sublinhar

Os passos até às duas Colunas do Cais de Ourives.

11h30m

15 de Abril de 15

Frederico ‘W George

Villa de Collares, Café Operário ‘Flor da Villa’

Publicado em ÚLTIMA HORA — Poemas | Etiquetas , , , , , , , , | Publicar um comentário

ÚLTIMA HORA — Poemas © Frederico Mira George

Primeiro

Poemas de Konstandinos, trago-os presos

às têmporas. Desejava muito, muito, esconder-me num lentíssimo

transporte. Embarcar aqui e demorar-me por meses adentro 

do deserto egípcio, navegar até estar muito cansado 

e quando já não aguentasse o cansaço, quando estivesse a um palmo de afogar,

acordava em Alexandria na cama do hotel onde Durrell 

escreveu pinturas de Clea. 

13h10m

Frederico ‘W George

Várzea de Collares

5 de Abril de 15 — Domingo da Páscoa Cristã

Publicado em ÚLTIMA HORA — Poemas | Etiquetas , , , , , , , | Publicar um comentário