ÚLTIMA HORA — Poemas — ©  Frederico Mira George

Segundo

{Quais des Orfèvres — Rua Áurea — Aller et Retour}

Amanheci em Lisboa no final da segunda metade dos anos oitenta,

Viajei para o rever, voltei e tenho estado à espera, acaba de chegar.

Mantém a figura que lhe guardava, o cansaço contrastando 

Com a idade. Vejo-o entrar na ‘Mónaco’: três maços de Provisórios e

Duas caixas de fósforos Quinas (é rigoroso, não usa isqueiros). 

À passagem pelo vendedor de bíblias, encara o apóstolo com desprezo até à

Rua do Ouro. Na ‘Tabacaria do Rocio’: quatro onças 

De Havanezas (é rigoroso, fuma tabaco com latakya num Davidoff de briar 

Martelado).

Fez-se escuro num suspiro, já se não vê rio ao fim da rua.

Trinta e cinco minutos depois das dezassete horas, paciente, aguardo

Que abandone o tabaqueiro para discretamente lhe sublinhar

Os passos até às duas Colunas do Cais de Ourives.

11h30m

15 de Abril de 15

Frederico ‘W George

Villa de Collares, Café Operário ‘Flor da Villa’

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Sobre Frederico Mira George — «Arte»

Frederico Mira George: Escritor, Artista Plástico, Podcaster
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