O Veneno Solitário #12 — © Frederico Mira George

O Veneno Solitário #12

Villa de Collares
Mucifal
Várzea de Collares — Molhe da Ribeira
Dia 19 de Outubro de 14
Dia 21 de Outubro de 14
Dia 22 de Outubro de 14
Dia 23 de Outubro de 14
{Salão Literário «Colares Velho»
«Mesa Dom Carlos I», Domingo, Casa «Cândido
dos Reis», Terça-feira, Café «Moinho de Pão,
Quarta-feira, Café «C. V.», Quinta-feira}

Décimo segundo
{EXTRA TEXTO}

{O Veneno Solitário #12

Villa de Collares
Mucifal
Várzea de Collares — Molhe da Ribeira
Dia 19 de Outubro de 14
Dia 21 de Outubro de 14
Dia 22 de Outubro de 14
Dia 23 de Outubro de 14
{Salão Literário «Colares Velho»
«Mesa Dom Carlos I», Domingo, Casa «Cândido
dos Reis», Terça-feira, Café «Moinho de Pão,
Quarta-feira, Café «C. V.», Quinta-feira}

Décimo segundo
{EXTRA TEXTO}

{a conformação de camillo voltou a contagiar-me os sentidos, enquanto descia a mais íngreme rua da íngreme collares. ele sentado à escrivaninha na casa de são miguel de seide. a moradia querençosa e fatídica que foi habitar, por fim, ao lado de ana plácido. a moradia onde, por fim, se matou. um tiro minutos depois de lhe ser comunicada a irreversibilidade da cegueira. ¡cínica notícia! camillo que sempre fora cego para o tempo, para o século, para o «paiz», para a ardilosa e infectada intelectualidade da sua geração. toda uma vida e aos olhos só deu uso escrevendo (ler de quando em quando) e para reconhecer ana. ¡ana, ana e a narrativa! e viveu bem com essa ablepsia mental, até com regozijo. mas na definitiva manhã de seide o sortilégio do «cego ao profano» virou-se contra o feiticeiro. a treva real, irrevogável, condenava o reflexo das duas únicas existências que camillo não podia escusar, o relevo de ana e os contornos sublimes dos caracteres. todo o resto de que o mundo é feito poderia continuar ilustrado pela agilidade prodigiosa, espírita, sacerdotal. sem apelo, perdia a proporção certa de matéria tangível, perdia o acto, a fábula do quotidiano.
¿estaria na toponímia da rua mais íngreme de collares, o detalhe oculto que evocara camillo ao meu pensamento?
nas letras negras em fundo branco debruado d’azul-azulejo, ecoa o som de todos os disparos suicidários: «rua almirante carlos cândido dos reis».

13h21m
Frederico ‘W George
conformação de camillo voltou a contagiar-me os sentidos, enquanto descia a mais íngreme rua da íngreme collares. ele sentado à escrivaninha na casa de são miguel de seide. a moradia querençosa e fatídica que foi habitar, por fim, ao lado de ana plácido. a moradia onde, por fim, se matou. um tiro minutos depois de lhe ser comunicada a irreversibilidade da cegueira. ¡cínica notícia! camillo que sempre fora cego para o tempo, para o século, para o «paiz», para a ardilosa e infectada intelectualidade da sua geração. toda uma vida e aos olhos só deu uso escrevendo (ler de quando em quando) e para reconhecer ana. ¡ana, ana e a narrativa! e viveu bem com essa ablepsia mental, até com regozijo. mas na definitiva manhã de seide o sortilégio do «cego ao profano» virou-se contra o feiticeiro. a treva real, irrevogável, condenava o reflexo das duas únicas existências que camillo não podia escusar, o relevo de ana e os contornos sublimes dos caracteres. todo o resto de que o mundo é feito poderia continuar ilustrado pela agilidade prodigiosa, espírita, sacerdotal. sem apelo, perdia a proporção certa de matéria tangível, perdia o acto, a fábula do quotidiano.
¿estaria na toponímia da rua mais íngreme de collares, o detalhe oculto que evocara camillo ao meu pensamento?
nas letras negras em fundo branco debruado d’azul-azulejo, ecoa o som de todos os disparos suicidários: «rua almirante carlos cândido dos reis».

13h21m
Frederico ‘W George

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Sobre Frederico Mira George/Literatura e Rádio

Frederico Mira George: Escritor, Realizador/Autor/Locutor de Rádio, Artista Plástico
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2 respostas a O Veneno Solitário #12 — © Frederico Mira George

  1. henriquemlgil diz:

    Belo! 🙂

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